Dia da Advocacia Trabalhista: os desafios continuam

Por Mauro Menezes & Advogados - Assessoria de Imprensa ∙ 18 de junho de 2021
Artigo especial da advogada Raquel Rieger, sócia de Mauro Menezes & Advogados

Estamos entrando no segundo ano de pandemia, e com a proximidade do Dia do Advogado Trabalhista, as reflexões ressurgem: afinal, o que vamos comemorar?

Nossos desafios diários certamente continuam, mas a dinâmica das relações com clientes, parceiros e colegas, assim como as rotinas judiciais, que sofreram duro choque com o início da pandemia parecem já ter se assentado. Nossa nova realidade digital realmente se apresenta como um caminho sem volta. Reuniões e atendimentos virtuais adquiriram um status de normalidade no dia a dia, assim como a realização de audiências e de sessões de julgamento na modalidade telepresencial ocupam nossas agendas.

O Conselho Nacional da Justiça (CNJ) disponibiliza dados que revelam que cerca de 84% dos servidores do Poder Judiciário estão atualmente em regime de trabalho remoto. Nós, advogados trabalhistas, tentamos nos equilibrar na utilização dos meios remotos – muitas vezes passando certo sufoco com toda sorte de problemas tecnológicos – acrescentados à natural pressão do exercício da vida profissional regida por prazos. Embora processos virtuais não fossem exatamente uma novidade antes da pandemia, o home office apareceu em nossa vida profissional com o peso de uma bigorna.

Por um lado, até mesmo os mais reticentes tiveram que reconhecer os inegáveis benefícios da vida virtual: se não fosse por ela, possivelmente não haveria sobrevivência em tempos pandêmicos. Graças às novas tecnologias, não paramos de trabalhar e de atender aos nossos clientes.

O Processo Judicial Eletrônico – PJe, criado em 2010, e os demais outros sistemas específicos de autos digitais utilizados pelo Tribunais, alvos de grande resistência inicial, nunca foram tão vitais para a continuidade do nosso mister – e segundo dados do CNJ, mais de 85% dos processos já tramitam em meio digital em nosso País, nos mais variados ramos do Poder Judiciário.

Obviamente, existem desafios na utilização das tecnologias, há envolvimento de custos e a exigência de adaptação de rotinas, além da necessária consideração de que a chamada inclusão tecnológica, infelizmente, não atinge a todos, e marginaliza ainda mais as pessoas mais carentes.

Todavia, não paramos.

Aquilo que parecia impossível, como, por exemplo, a realização de audiência de instrução à distância, embora envolva dificuldades, passou a ser uma realidade desde o ano passado. Advogados em tribunas virtuais ou em despachos realizados via plataformas eletrônicas de videoconferência tornaram-se comuns. Acompanhamento de julgamentos via YouTube faz parte da nossa nova rotina de trabalho.

Por outro lado, nem tudo são flores. Além das dificuldades mencionadas acima, não se nega que há perdas: nada substitui o “olho no olho” em um atendimento a cliente e, muito menos, em uma audiência ou sessão de julgamento. Mas, de novo: não paramos.

Juntamente com toda a humanidade, estamos enfrentando este período de calamidade pública mostrando grande capacidade de adaptação, visando a manutenção da qualidade do nosso trabalho a serviço dos nossos clientes, sem jamais perder o norte social que envolve o ramo do Direito que abraçamos. Ou seja: enfrentamos uma crise sanitária e econômica carregando a desmedida responsabilidade de defender o direito alimentar de trabalhadores e de suas famílias, ameaçado, principalmente, pelas dificuldades econômicas sofridas pelo segmento patronal. Nunca o vocábulo “subsistência” teve tanto valor quanto atualmente.

Este é o desafio, por excelência, do advogado trabalhista: a garantia de direitos sociais que visam a subsistência individual e familiar. É claro que jamais nos imiscuímos dele, mas é absolutamente nítido, neste já segundo ano de pandemia, que o desafio adquiriu contornos ainda mais vitais e emergenciais.

E é por este viés, das grandes adaptações e dos permanentes desafios, que devemos comemorar o Dia da Advocacia Trabalhista neste ano de 2021, porque provamos que podemos, sim, continuar. E não iremos parar.