Livro que faz registro histórico da luta pelo banimento do amianto é lançado em São Paulo

Por Mauro Menezes & Advogados - Assessoria de Imprensa ∙ 30 de abril de 2019

Foi lançado no último dia 26 de abril, em São Paulo, o livro “Eternidade – A Construção Social do Banimento do Amianto no Brasil”, da jornalista Marina Moura, que faz um registro histórico de todos que se uniram durante anos pelo banimento do uso do amianto no Brasil e que seguem agora na luta pela proibição da exportação da substância tóxica para outros locais do planeta.

Os representantes do escritório Mauro Menezes & Advogados, Mauro de Azevedo Menezes, sócio-diretor do escritório, Fernanda Giannasi, consultora técnica, e Erica Coutinho, coordenadora da Unidade São Paulo, juntaram-se a cerca de cem pessoas no auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para o evento de lançamento que contou com os depoimentos e falas de diversas pessoas envolvidas na narrativa contada no livro.  O escritório representa há 15 anos para a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea) e para outros braços do movimento social.


De acordo com a jornalista e autora do livro, Marina Moura, o trabalho buscou dar voz a todas as pessoas envolvidas nessa história. “Você tem vozes das pessoas que são vítimas do amianto, dos seus familiares, das pessoas que se organizaram em associações, amigos que viram toda essa exposição e todo o padecimento por conta das doenças e você tem toda a mobilização de instituições que vai acontecer depois, com advogados, médicos e gente da academia fazendo teses. É unir esse conjunto de vozes e dar uma unidade, ampliar elas”, afirma.

O sócio-diretor do escritório Mauro de Azevedo Menezes, que concedeu entrevista ao livro, agradeceu à oportunidade de ter dado contribuição ao registro histórico da obra. “Falo aqui como advogado. Não sou o único que defende vítimas do amianto, o banimento em si e que enfrenta a indústria. O escritório tem dezenas de colegas e nós temos uma cotidiana defesa dessas pessoas. Coloco-me como porta-voz para outros advogados que não pertencem a um único escritório e que dedicam seus esforços, em certa medida pro bono (de forma gratuita). Trata-se de uma luta que exige um comprometimento que vai muito além de uma compensação profissional”, exaltou.

Mauro Menezes também relatou que muitas vezes o escritório e outras pessoas envolvidas na luta pela proibição do uso da substância enfrentaram acusações de serem associadas à indústria concorrente da indústria do amianto. “Faz parte do script que sempre é adotado por indústrias poluidoras, como a indústria do amianto, de difamar as pessoas que dedicaram suas vidas à luta. Nós sempre fizemos parte da vertente cidadã e autônoma”, afirmou.

Atualmente, o escritório defende que as vítimas de amianto recebam assistência médica integral e que haja reparação para que seja desencorajada e punida não apenas a indústria do amianto, mas todas as indústrias poluidoras. “Sabemos que a principal produtora de amianto no Brasil declarou a sua recuperação judicial e obteve guarida no Poder Judiciário. Estamos nesse momento perante o Supremo Tribunal a representar os interesses das vítimas no sentido de evitar que haja extensão da produção do amianto, de modo que pessoas em nosso país continuem se submetendo seja na exposição, no armazenamento, no transporte e no embarque do produto”, defendeu Mauro Menezes.

Para Fernanda Giannasi, uma das principais lideranças pelo banimento do amianto no Brasil e atualmente consultora na área de saúde, trabalho e meio ambiente do escritório Mauro Menezes & Advogados, o livro cumpriu o papel de contar a história de pessoas que geralmente não têm rostos para a grande mídia. “A ideia foi resgatar essas histórias da luta que elas empreenderam coletivamente. Eram 30 anos que você ia recuperando, lembrando-se de detalhes que até então estavam adormecidos”, afirma Fernanda, que também foi responsável pela revisão e coordenação da produção do livro.

Segundo ela, a ideia de recuperar a história está plantada e agora é preciso aprimorar o projeto da memória da luta do movimento social pelo banimento do amianto no Brasil. “Essa construção é muito linda, pois ela vem das bases a chegar no Supremo Tribunal Federal (STF)”, ressalta.

Missão asiática

O evento de lançamento contou com representantes da missão asiática que veio ao Brasil se manifestar contra a tentativa da Eternit de exportar o amianto explorado por ela em Minaçu, Goiás, através de sua subsidiária SAMA, mesmo após o STF ter proibido a produção, comercialização e utilização do mineral no Brasil em novembro de 2017. A empresa, que já foi a principal produtora de amianto no país, passa atualmente por recuperação judicial.

“Estamos aqui em São Paulo para pedir o seu apoio para parar as exportações para a Ásia. Se você conhecer a realidade da exportação, vai apoiar a nossa causa”, declarou Furuya Sugio, coordenador da missão asiática e que parabenizou o Brasil pela luta que vem fazendo pelo fim da exportação da substância tóxica.

De acordo com Erica Coutinho, coordenadora da Unidade São Paulo do escritório Mauro Menezes Advogados, atualmente o escritório está acompanhando a discussão sobre a proibição da exportação. Também segue ajuizando ações individuais de pessoas contaminadas pela substância e acompanha a recuperação judicial da Eternit. Para ela, é importante mostrar o sentido coletivo das ações que vão surgindo individualmente. “Uma das coisas importantes do livro é reunir várias histórias sem que pareçam coincidências”, analisa.

Homenagens

O evento de lançamento do livro também foi espaço de homenagens para diversas pessoas envolvidas na história contada na obra. Uma delas foi Fernanda Giannasi, conhecida por seu trabalho e por suas denúncias como auditora fiscal por mais de 30 anos no antigo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“A saga dessa mulher está refletida na luta de todo mundo. Ela recebeu cartas com símbolos nazistas, ameaças do Canadá e aqui do Brasil e não baixou a cabeça. Está aqui e levou esses conhecimentos para o estrangeiro”, afirmou a autora do livro Marina Moura.

Para Mauro Menezes, a ex-auditora é um símbolo da tomada de consciência e do ativismo em prol do meio ambiente. “É um nome internacional. Obteve esse reconhecimento, pois a cada dia reaviva a sua condição de lutadora e tem uma agenda ininterrupta em defesa da saúde das vítimas e um enfrentamento ao poder econômico representado pela indústria do amianto no Brasil e no mundo”, afirmou.

Fernanda Giannasi disse que foi emocionante fazer a revisão do livro. “A obra é coletiva e a Marina assumiu essa autoria e ouviu a todos. É muita emoção, nem dormi direito essa noite de ansiedade para ver esse livro”, contou. O evento também fez homenagem a Maria Geruza Correia Elvas, ex-diretora jurídica da Abrea e falecida em março desse ano, assim como a outras tantas figuras envolvidas na luta coletiva pelo fim do amianto.